domingo, 18 de dezembro de 2011

Sintomas

Fui diagnosticada com uma coisa chamada: saudade. Os sintomas são os piores, não consigo nem identificar; Tem algo com ansiedade, embrulho no estômago, felicidade e desespero, tem algo de aconchego, tem um nervosismo, tem um encanto, tem um pouco de amor, de meloso, de medo, de ternura... Meu Deus, tem um pouco de tudo. Saudade é muito paradóxo.
E eu que estava calculando as horas, se tinha feito muito tempo que tinha falado com você. Se já tinha dado tempo de ter sentido tudo isso e se já dava pra ouvir sua voz mais uma vez. E eu que ficava tentando dormir, tentando passar o tempo na mágica só porque tinha a chance de te ver... Céus, eu estou em estado terminal. Minha doença é grave, não vou aguentar tanto tempo se continuar assim.
Providencie as tardes juntos, tragam lençóis limpos, deixem as janelas abertas, deixem ela respirar, consigam noites de amor, tragam - em caráter de urgência - paixão, tempo e silêncio. Não aguento mais esperar. E cada procedimento feito, é um passo dado, é um dedo de medo, é uma dose de doçura e afeto e amor e silêncio. Silêncio. Shiiiu. Silêncio. Com muito cuidado, maneje calma, ternura, paciência, calma, bisturi, paciência, paciência e amor. Pronto. Fim da noite.
E amanhã, já tem tudo isso agendado para a tarde inteira.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

E se eu me...

E se eu me apaixonar por você?
Até os Beatles se perguntaram isso.
Se eu me apaixonar por você, prometeria ser verdadeiro e me ajudaria a entender? Porque eu já me apaixonei antes e descobri que o amor era mais que só mãos dadas.Se eu der meu coração pra você, tenho que ter certeza, desde o início, de que você me amaria mais que ela. Se eu confiar em você, oh, por favor (!), não corra e se esconda.
Se eu te amar também, por favor (!), não fira meu orgulho, como ela. Porque eu não aguentaria esta dor e eu ficaria triste se nosso novo amor fosse em vão.
Então eu espero que você veja que eu amaria te amar. Ela vai chorar quando aprender que nós somos dois. Se eu me apaixonar por você.
Nada me deixaria mais triste se nosso novo amor fosse em vão. Sei que não acreditaria mais em amor nenhum, se nosso novo amor for em vão. E tudo isso se eu me apaixonar por você.
Se.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O que você quer de mim?

Sua sede é de quê? De desejo, de auto-estima, de poder, de obedecer? Você tem fome de quê? De carinho, de rejeição, de afeto, de açúcar, de sofrimento ou de piedade?
Sua necessidade é real ou é necessária? Você quer o quê de mim?
Não sou uma boa pessoa. Nunca fui. Nunca serei. É uma meta de vida. Se algum dia eu for boa, prepare-se para pagar por isso. Eu cobrarei. Assim como me cobro todos esses pontos. Que deveriam ser finais. Mas não são.
Eu não tenho nada a oferecer. Talvez uma ou duas tardes ensolaradas e aconchego na cama, como se fosse um domingo bem preguiçoso. Ou talvez te acordar com minha boca salivando o que já está acordado, bem antes de você. Talvez isso aconteça mais vezes do que as tardes preguiçosas. Talvez nossos dias não sejam planejados, ou talvez sejam...
Eu tenho incertezas pra dar e vender. Tenho a vontade de estar por perto e isso bastar. Tenho vontade de tomar os dias e as noites e as vírgulas e não dar fim a tudo o que necessito.
Não sei o que você quer de mim. Eu sei o que você não quer. Meus pontos finais.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

...

E quando você começa um assunto com reticências? Sim, você começa uma conversa com três pontos e esses três pontos querem dizer muita coisas. Eles estão te xingando, estão amaldiçoando suas opiniões, suas vontades, estão gritando para que você suma do mesmo jeito que apareceu na vida de alguém, estão iniciando a pior conversa que poderia existir. E olha que são apenas três pontos...
O pior de se iniciar uma conversa, é continuar com ela. Mesmo que você só tenha escrito "..." é óbvio que você queria dizer alguma coisa. Mas o melhor é quando o silêncio te vem como resposta. Suas reticências serviram para calar o indivíduo e isso lhe é vitorioso demais. Ganhei minha noite. Ganhei? ...
Não me é vitorioso o silêncio, mesmo que tenha as reticências no final da frase. Um silêncio nunca é a prova de que algo foi bom. O silêncio é o mal da verdade, é quando te cala pela verdade de você nem precisar retrucar. O silêncio são as reticências que eu joguei naquela janela e que você, até agora, nem respondeu. Foram duas ações numa só. Eu falei o silêncio que lhe era a resposta. Falei o silêncio e você nada...
Minha dor não é mais dor, não é mais sofrimento, não é mais um sentimento. Minha dor é uma dor indolor, ela existe, mas não dói tanto, não insiste em doer, ela existe só para ser lembrada, como qualquer outra dorzinha no coração, na alma, no sentimento. É isso (!), minha dor é só um sentimento. Assim como o amor, só que ao contrário.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sobre a vida alheia

São 02:03 am e tenho notícias sobre as quais não consigo lidar. Logo eu, a quem eu nem me importava com a vida alheia, estou aqui em coma induzido. Simplesmente não sei lidar com isso, não quero e nem vou. Ao menos nos próximos dias.
Eu vou estar bem, estarei sorrindo, vou dizer que estou resfriada para justificar o nariz vermelho e o rosto inchado de todas as horas que vou suportar chorar, até conseguir adormecer e rezar para não conseguir acordar nas próximas semanas. Eu vou estar bem, vou estar com minhas amigas por perto, vou estar conversando sobre vários assuntos, mas vou pedir a Deus que não me deixem sozinha, porque até uma folha me dará motivo para sofrer. Até uma folha. Até uma formiga. Até qualquer sofrimento será menor que o meu, porque eu vou sentir meu coraçãozinho do tamanho de nada, vou odiar qualquer ligação que tenha com o nome ou com o motivo de ter deixado tudo isso acontecer. Não vou ouvir músicas felizes, não vou me alimentar bem, vou ficar me perguntando porquê todo tempo, vou me questionar por dias, e nas horas de cada um desses dias eu vou adicionar uma atitude que me magoe, até que tudo esteja ruim o suficiente para eu começar a esquecer de vez, até que me doa tanto lembrar que alguma hora eu não vou querer sentir nem doer.

sábado, 5 de novembro de 2011

Toalha molhada em cima da cama.

Sabe quando alguém entra no seu quarto e você sai catando tudo e fala: não repara a bagunça? Acho isso tão desnecessário... As pessoas organizadas são loucas, precisam de ordem para se encontrar, para se localizar. Pessoas assim não são atenciosas, não conseguem encontrar nada, pois está tudo tão guardado que será difícil achar aquilo que procuram - e, geralmente, é algo que lhe é solicitado com pressa.
Eu não consigo organizar nada. Ou manter algo organizado. Sou pela facilidade dos meus fones de ouvido sempre visíveis, gosto de saber onde estão minhas chaves e o controle remoto do DVD. Eu não consigo me organizar porque quando tenho tudo jogado, sei onde posso encontrar tudo, estão ali, à mostra, visível e vasculhar não é muito meu hobby. E quando se trata de pessoas.... Prefiro uma toalha molhada em cima da cama a vasculhar a vida de alguém. Ou alguém que já foi meu. (Sim, eu possuo pessoas)
É tão difícil lidar com a ausência de alguém. Principalmente quando alguém preenchia seu dia com coisas corriqueiras e aquilo acabou lapidando seu cotidiano. E meu cotidiano não era levantar e fazer tudo sempre igual, sacudir às 6hs da manhã, sorrir um sorriso pontual nem beijar com gosto de hortelã. Era tão desorganizado que eu nem sei porquê chamar de cotidiano. E quando não tinha nada pra fazer, tinha tudo.
Gosto da desordem, gosto do estrago, gosto do gasto. Minha toalha em cima da cama mancha meu colchão. Amor, mancha a vida inteira. Prefiro minhas toalhas.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Aluga-se-vende

Esse título é auto-suficiente. É como se eu nem precisasse redigir um texto para explicar: como assim "Aluga-se-vende"? É isso, apenas isso: aluga-se-vende.
Alugo-me-vendo para a facilidade, para as dificuldades, para onde não pode ir, para onde é mais fácil desistir, por um doce, por um cigarro, por barras de ouro, por um doritos. Ai ai, como eu sou difícil. Eu sou tão fácil que sou paradóxo de mim mesma, e me alugo e me vendo e me faço e me mato na ridicularidade dos meus dias.
Eu costumava ser tão amável, tão coitadinha e fui me cansando de ser assim. Tornei-me a acidez em pessoa, o sarcasmo no sorriso mais elogiado de todos os tempos e com isso sou uma fraude. Sou de má fé, porque já sinto que tudo vai dar errado e como Murphy não perdoa, ele age e acaba comigo.
Eu costumava ser amável, costumava querer agradar, queria planejar a vida, os sonhos e não consigo nem acordar cedo para ir ao médico. Como posso querer salvar o planeta? Como posso querer mudar as coisas se meu quarto não tem espaço? Só digo uma coisa: tem algo de muito errado com o mundo. É uma teoria da conspiração que não me deixa. E não me deixa refletir. Não me deixa concluir. Não me deixa.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Lacuna

Lacuna: (subst f) espaço vazio, falta.
Lacuna é um espaço em branco, destinado a uma resposta, uma conclusão, um pensamento ou um significado. É a falta de léxico, daquela palavra que teima em fugir do nosso pensamento, é a falta de memória, é o espaço que deveria ser preenchido por algum sentimento já existente. Lacuna é a dor.
Não tive como deixar passar o que ando sentindo ultimamente. E isso tem corroído o meu cérebro. A ponto de me enlouquecer e me fazer ficar acordada na madrugada, na janela do meu quarto, fumando um cigarro que eu nem deveria fumar. Mas eu precisava desse cenário, eu precisava dessa sensação fotográfica e precisava imaginar a cama desarrumada, travesseiros no chão e as roupas ainda no corpo. Minha mão na testa, segurando o cigarro, que trago com tanto gosto e a língua que umedece os lábios que estava gemendo e contendo os gritos abafando-os nas mordidas no travesseiro. Eu olho o cigarro se desfazendo em cinzas e me vem a sua expressão tão confusa ao ver meu rosto tímido e as lágrimas mais sem sentido de todos os tempos. Eu não poderia estar mais feliz. Meu choro acompanhou o resultado de um tipo de orgasmo sensacional. Coisa que nunca tive, nunca senti.
Desculpa, mas eu tive que me declarar.
O cigarro acabou e eu preciso que os dias venham mais cheios dessa coisa que temos. Somos suspeitos de um crime perfeito. Desculpa, mas eu tenho que declarar.
Estou total e completamente ___________.

domingo, 20 de março de 2011

Pergunte-me como

Eu adoro descrever. Sou capaz de parar e olhar pra um único objeto, mas mesmo assim conseguir sentir todas as coisas que o rodeia. Sou capaz de criar um cenário só em sentir um cheiro característico; Cigarros num cinzeiro me remete a uma sala com mobilia antiga, discos de vinil antigos, quadros com arte diferente e chico buarque de fundo musical. Orégano me leva até a uma cozinha aconchegante, com macarrão na mesa e aquele molho branco e pedaços de queijo derretido e ralado por cima. O cheiro do vinho na rolha, as taças no chão, aquele tapete na sala e todos os sabores reunidos naquele gosto de cigarro que vem da sua boca e a mistura do doce hortelã da sua pastilha. Consigo ver tudo isso só pelo reflexo do cenário na lente dos teus óculos sempre limpos e charmosos. O meu perfume adocicado sobre o seu e o nosso cheiro formando uma camada de sentimentos sinestésicos e viciante. Não dá pra parar de te tocar, de sentir o que tudo isso reflete em mim e na expectativa dessa noite. Mesmo que a realidade acabe em duas taças do vinho lambrusco que escolhi com tanto gosto.

quinta-feira, 10 de março de 2011

É preconceito? É, é preconceito.

Eu queria ter meu notebook enquanto estava em Recife-PE, porque eu não queria deixar nenhuma das minhas idéias sem "transpassá-las" para o blog; mas é o que temos pra hoje.
Juntei-me a duas primas que conheço desde que nasci e pela primeira vez saímos juntas, saímos da cidade juntas, saímos do Estado juntas, saímos de nossas vidas juntas. E juntas ficamos por 5 dias em que jamais esqueceremos.
O carnaval em Recife/Olinda é um dos mais conhecidos do planeta Terra. Grande novidade, não é? Pois bem, tendo essa marca, seria ótimo se as pessoas em Recife/Olinda também fossem as melhores e mais educadas que encontraríamos por lá. Doce deletério.
Faz-se necessário encontrar alguém que tivesse o mínimo de consideração e amor pela própria cidade e que acolhessem os turistas de forma educada e paciente, porque, ao que consta, não sabíamos onde era nada naquela cidade enorme.
Era pedir demais que um motorista de ônibus soubesse por onde ele passaria? Qual o ponto mais próximo a um lugar tão evidente quanto as ladeiras de Olinda? Acho que não. E eu tão acho que não, que perguntávamos na maior educação, vinda de sangue azul da realeza natalense, e éramos respondidas com: sobe logo, minha filha. O ônibus vai sim. E tão sorte tínhamos que além de descer longe, a gente andava alguns quilômetros até chegar em nossa casa tão lotada de gente vazia.
O melhor de Recife/Olinda ficou lá pelas ladeiras dos quatro cantos, naqueles prédios restaurados e com aquela gente tão linda, vinda de todo lugar do Brasil.
Aos pernambucanos, minha paciência e sorriso amarelo. Eu esperava mais de vocês.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Véspera de aniversário

É a semana do meu aniversário e com isso cria-se uma expectativa muito grande de que a semana seja cheia de coisas boas, boas notícias e bons presentes. Entretanto, alguns dias depois do meu tão esperado dia no ano, você vai embora. E Deus sabe quando voltará. E isso não é uma coisa boa, uma notícia boa ou um bom presente.
Aliás, é um bom presente, porque é o tempo que se encontra e é o que temos que aproveitar. O presente, o momento, o dia, a tarde e a noite. E eu aproveito tudo com você, meu bebê.
Eu não tenho só você no coração, porque você ocupa um bom espaço na minha vida e está comigo nos fones e no meu mp3 que nunca deixo descarregar, você está comigo numa chamada perdida do celular, uma mensagem tentadora ao celular, na parada do ônibus, na rua, nas calçadas, cantando, rindo, me abraçando, me fazendo rir e me viciando.
Hoje, que dia... Que dia pra se eternizar aqui. Foi tão cansativo, mas tão prazeroso te ter alí tão perto, tão próximo, tão do meu lado, tão literalmente. E eu só tenho beijos e abraços e carinhos sem ter fim por você, meu bebê.
Acabo de ver o hoje virar amanhã, nesse relógio digital que não me dá tempo de te fazer eterno nesse post. Mas tudo bem, tivemos janelas e carros como testemunha, tivemos Oasis, Coldplay, Chico Buarque, The Smiths e tão perto da minha casa eu tive você e sua voz e o som do meu violão. Eu tive cantoria num banco de ônibus lotado e lotado de vazio, porque alí eu só via eu e você. E o seu abraço tão honesto e sua voz no meu ouvido dizendo: eu vou sentir saudade de vocês. E eu não quis ouvir o plural, porque era a mim que você abraçava e era a sua voz que me encantava e me matou de amor.
Eu também sentirei sua falta, bebê. Sentirei falta de saber que estás por perto. E quanto mais perto está, mais tempo falta pra te aproveitar.
Ainda falta muitos dias até você ir e por isso quero te ter mais vezes, mais presente, mais sorridente, mais a pé pra que eu possa te ver.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Saudade indolor

Eu sou muito ligada a datas. Tanto nas boas, quanto nas ruins. E minha memória super-maravilhosa não me deixa esquecer nenhum detalhe. Nem os bons, nem os maus.
Hoje, 19/02, faz quase um mês que eu estive naquele quarto pela última vez, sentindo aquele cheiro de roupa limpa, que estive deitada naquela cama sob aqueles lençóis puramente e impecavelmente brancos e que tinha o cheiro tão doce e tão seu. Eu estava deitada tentando memorizar todos os cantos do lugar, o azul da parede e aquela madeira com um fio preto de ponta a ponta, a estante e aquelas empoeiradas revistas que você nunca lia nem me deixava ler, seu computador que fazia uma barulho horrível e o som do teclado com quem eu tanto travei caras de ódio por você ter mais tempo pra ele do que pra mim; Faz quase um mês que eu vi aquela caixa dourada dentro do seu guarda-roupa pela última vez, e as camisas mais bonitas e os casacos que eu sempre quis roubar pra mim, mas que você nunca usou. Os perfumes caros e todas aquelas informações dentro de um espaço destinado somente a você e que você nunca arrumou. São quase trinta dias sem ir na varanda do seu quarto, naquele quarto andar e que dava pra ver os prédios e as casas e o céu no fim de tarde, os mais bonitos que eu já vi. E bem atrás de mim, sempre estava ele. E eu sempre roubava - ou tentava roubar - sua atenção lhe atraindo pra um sexo rápido na cadeira, só pra aproveitar a tarde quente e poder tomar banho mais relaxada.
Minha saudade é suprida com a sua voz na minha mente e me recorda as piores conversas que já tive com alguém. Minha saudade é suprida pela vontade de te ver e de saber que vou me arrepender assim que eu estiver voltando pra casa. Minha saudade morre quando eu me desligo do mundo com fones de ouvido e escuto "Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part"

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ser hipocondríaco é uma doença?

Depois de longos meses em depressão; um noivado acabado; um namoro devastador e uma paixão que não consigo esquecer até hoje, eu adoeci. E não achem que depressão é doença, porque ela é um distúrbio mental, que te faz querer morrer, ou justificar sua dor com algo mais apresentável à sociedade, quando você diz: eu estou gravemente doente. E eu sou neurótica com doença, porque tudo eu penso que vou morrer, que tenho câncer ou que qualquer dor de cabeça forte que eu tenha será um AVC. Fui ao médico e ele me deu uma bronca por tudo o que passei. Tive que fazer exames. Muitos, muitos exames e acho que estou terrivelmente em estado terminal. Se não estou, alguém me avisa. Eu preciso saber.
Eu passei dois meses que não queria sair de casa, eu não tinha vontade nenhuma de me levantar e espalhar meus lenços pelo chão, pois teria que apanhá-los e isso seria uma tarefa árdua demais para as minhas articulações debilitadas. Eu não comia, eu não tomava água, eu não andava, eu não falava com ninguém. Só ficava olhando fotos, ouvindo coldplay e esperava a morte vir aqui e me buscar, já cansada de me ver assim. Eu emagreci 10kg nessa brincadeira. Eu perdi duas melhores amigas por causa disso e eu não tenho expectativa alguma de encontrar outra pessoa e me apaixonar por ela, porque eu simplesmente não acredito mais nisso.
Um dia eu acordei e eu tinha que terminar uma faculdade paga e passar em um vestibular. Consegui realizar os dois. Hoje estou aqui de frente a esse computador, com uma caneca de café quente entre as pernas, um relógio parado em cima da cama e uma agenda rabiscada de coisas que eu não quero pra mim durante o ano. Acabei de riscar: fazer um blog.