sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Saudade indolor

Eu sou muito ligada a datas. Tanto nas boas, quanto nas ruins. E minha memória super-maravilhosa não me deixa esquecer nenhum detalhe. Nem os bons, nem os maus.
Hoje, 19/02, faz quase um mês que eu estive naquele quarto pela última vez, sentindo aquele cheiro de roupa limpa, que estive deitada naquela cama sob aqueles lençóis puramente e impecavelmente brancos e que tinha o cheiro tão doce e tão seu. Eu estava deitada tentando memorizar todos os cantos do lugar, o azul da parede e aquela madeira com um fio preto de ponta a ponta, a estante e aquelas empoeiradas revistas que você nunca lia nem me deixava ler, seu computador que fazia uma barulho horrível e o som do teclado com quem eu tanto travei caras de ódio por você ter mais tempo pra ele do que pra mim; Faz quase um mês que eu vi aquela caixa dourada dentro do seu guarda-roupa pela última vez, e as camisas mais bonitas e os casacos que eu sempre quis roubar pra mim, mas que você nunca usou. Os perfumes caros e todas aquelas informações dentro de um espaço destinado somente a você e que você nunca arrumou. São quase trinta dias sem ir na varanda do seu quarto, naquele quarto andar e que dava pra ver os prédios e as casas e o céu no fim de tarde, os mais bonitos que eu já vi. E bem atrás de mim, sempre estava ele. E eu sempre roubava - ou tentava roubar - sua atenção lhe atraindo pra um sexo rápido na cadeira, só pra aproveitar a tarde quente e poder tomar banho mais relaxada.
Minha saudade é suprida com a sua voz na minha mente e me recorda as piores conversas que já tive com alguém. Minha saudade é suprida pela vontade de te ver e de saber que vou me arrepender assim que eu estiver voltando pra casa. Minha saudade morre quando eu me desligo do mundo com fones de ouvido e escuto "Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part"

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