E quando você começa um assunto com reticências? Sim, você começa uma conversa com três pontos e esses três pontos querem dizer muita coisas. Eles estão te xingando, estão amaldiçoando suas opiniões, suas vontades, estão gritando para que você suma do mesmo jeito que apareceu na vida de alguém, estão iniciando a pior conversa que poderia existir. E olha que são apenas três pontos...
O pior de se iniciar uma conversa, é continuar com ela. Mesmo que você só tenha escrito "..." é óbvio que você queria dizer alguma coisa. Mas o melhor é quando o silêncio te vem como resposta. Suas reticências serviram para calar o indivíduo e isso lhe é vitorioso demais. Ganhei minha noite. Ganhei? ...
Não me é vitorioso o silêncio, mesmo que tenha as reticências no final da frase. Um silêncio nunca é a prova de que algo foi bom. O silêncio é o mal da verdade, é quando te cala pela verdade de você nem precisar retrucar. O silêncio são as reticências que eu joguei naquela janela e que você, até agora, nem respondeu. Foram duas ações numa só. Eu falei o silêncio que lhe era a resposta. Falei o silêncio e você nada...
Minha dor não é mais dor, não é mais sofrimento, não é mais um sentimento. Minha dor é uma dor indolor, ela existe, mas não dói tanto, não insiste em doer, ela existe só para ser lembrada, como qualquer outra dorzinha no coração, na alma, no sentimento. É isso (!), minha dor é só um sentimento. Assim como o amor, só que ao contrário.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Sobre a vida alheia
São 02:03 am e tenho notícias sobre as quais não consigo lidar. Logo eu, a quem eu nem me importava com a vida alheia, estou aqui em coma induzido. Simplesmente não sei lidar com isso, não quero e nem vou. Ao menos nos próximos dias.
Eu vou estar bem, estarei sorrindo, vou dizer que estou resfriada para justificar o nariz vermelho e o rosto inchado de todas as horas que vou suportar chorar, até conseguir adormecer e rezar para não conseguir acordar nas próximas semanas. Eu vou estar bem, vou estar com minhas amigas por perto, vou estar conversando sobre vários assuntos, mas vou pedir a Deus que não me deixem sozinha, porque até uma folha me dará motivo para sofrer. Até uma folha. Até uma formiga. Até qualquer sofrimento será menor que o meu, porque eu vou sentir meu coraçãozinho do tamanho de nada, vou odiar qualquer ligação que tenha com o nome ou com o motivo de ter deixado tudo isso acontecer. Não vou ouvir músicas felizes, não vou me alimentar bem, vou ficar me perguntando porquê todo tempo, vou me questionar por dias, e nas horas de cada um desses dias eu vou adicionar uma atitude que me magoe, até que tudo esteja ruim o suficiente para eu começar a esquecer de vez, até que me doa tanto lembrar que alguma hora eu não vou querer sentir nem doer.
Eu vou estar bem, estarei sorrindo, vou dizer que estou resfriada para justificar o nariz vermelho e o rosto inchado de todas as horas que vou suportar chorar, até conseguir adormecer e rezar para não conseguir acordar nas próximas semanas. Eu vou estar bem, vou estar com minhas amigas por perto, vou estar conversando sobre vários assuntos, mas vou pedir a Deus que não me deixem sozinha, porque até uma folha me dará motivo para sofrer. Até uma folha. Até uma formiga. Até qualquer sofrimento será menor que o meu, porque eu vou sentir meu coraçãozinho do tamanho de nada, vou odiar qualquer ligação que tenha com o nome ou com o motivo de ter deixado tudo isso acontecer. Não vou ouvir músicas felizes, não vou me alimentar bem, vou ficar me perguntando porquê todo tempo, vou me questionar por dias, e nas horas de cada um desses dias eu vou adicionar uma atitude que me magoe, até que tudo esteja ruim o suficiente para eu começar a esquecer de vez, até que me doa tanto lembrar que alguma hora eu não vou querer sentir nem doer.
sábado, 5 de novembro de 2011
Toalha molhada em cima da cama.
Sabe quando alguém entra no seu quarto e você sai catando tudo e fala: não repara a bagunça? Acho isso tão desnecessário... As pessoas organizadas são loucas, precisam de ordem para se encontrar, para se localizar. Pessoas assim não são atenciosas, não conseguem encontrar nada, pois está tudo tão guardado que será difícil achar aquilo que procuram - e, geralmente, é algo que lhe é solicitado com pressa.
Eu não consigo organizar nada. Ou manter algo organizado. Sou pela facilidade dos meus fones de ouvido sempre visíveis, gosto de saber onde estão minhas chaves e o controle remoto do DVD. Eu não consigo me organizar porque quando tenho tudo jogado, sei onde posso encontrar tudo, estão ali, à mostra, visível e vasculhar não é muito meu hobby. E quando se trata de pessoas.... Prefiro uma toalha molhada em cima da cama a vasculhar a vida de alguém. Ou alguém que já foi meu. (Sim, eu possuo pessoas)
É tão difícil lidar com a ausência de alguém. Principalmente quando alguém preenchia seu dia com coisas corriqueiras e aquilo acabou lapidando seu cotidiano. E meu cotidiano não era levantar e fazer tudo sempre igual, sacudir às 6hs da manhã, sorrir um sorriso pontual nem beijar com gosto de hortelã. Era tão desorganizado que eu nem sei porquê chamar de cotidiano. E quando não tinha nada pra fazer, tinha tudo.
Gosto da desordem, gosto do estrago, gosto do gasto. Minha toalha em cima da cama mancha meu colchão. Amor, mancha a vida inteira. Prefiro minhas toalhas.
Eu não consigo organizar nada. Ou manter algo organizado. Sou pela facilidade dos meus fones de ouvido sempre visíveis, gosto de saber onde estão minhas chaves e o controle remoto do DVD. Eu não consigo me organizar porque quando tenho tudo jogado, sei onde posso encontrar tudo, estão ali, à mostra, visível e vasculhar não é muito meu hobby. E quando se trata de pessoas.... Prefiro uma toalha molhada em cima da cama a vasculhar a vida de alguém. Ou alguém que já foi meu. (Sim, eu possuo pessoas)
É tão difícil lidar com a ausência de alguém. Principalmente quando alguém preenchia seu dia com coisas corriqueiras e aquilo acabou lapidando seu cotidiano. E meu cotidiano não era levantar e fazer tudo sempre igual, sacudir às 6hs da manhã, sorrir um sorriso pontual nem beijar com gosto de hortelã. Era tão desorganizado que eu nem sei porquê chamar de cotidiano. E quando não tinha nada pra fazer, tinha tudo.
Gosto da desordem, gosto do estrago, gosto do gasto. Minha toalha em cima da cama mancha meu colchão. Amor, mancha a vida inteira. Prefiro minhas toalhas.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Aluga-se-vende
Esse título é auto-suficiente. É como se eu nem precisasse redigir um texto para explicar: como assim "Aluga-se-vende"? É isso, apenas isso: aluga-se-vende.
Alugo-me-vendo para a facilidade, para as dificuldades, para onde não pode ir, para onde é mais fácil desistir, por um doce, por um cigarro, por barras de ouro, por um doritos. Ai ai, como eu sou difícil. Eu sou tão fácil que sou paradóxo de mim mesma, e me alugo e me vendo e me faço e me mato na ridicularidade dos meus dias.
Eu costumava ser tão amável, tão coitadinha e fui me cansando de ser assim. Tornei-me a acidez em pessoa, o sarcasmo no sorriso mais elogiado de todos os tempos e com isso sou uma fraude. Sou de má fé, porque já sinto que tudo vai dar errado e como Murphy não perdoa, ele age e acaba comigo.
Eu costumava ser amável, costumava querer agradar, queria planejar a vida, os sonhos e não consigo nem acordar cedo para ir ao médico. Como posso querer salvar o planeta? Como posso querer mudar as coisas se meu quarto não tem espaço? Só digo uma coisa: tem algo de muito errado com o mundo. É uma teoria da conspiração que não me deixa. E não me deixa refletir. Não me deixa concluir. Não me deixa.
Alugo-me-vendo para a facilidade, para as dificuldades, para onde não pode ir, para onde é mais fácil desistir, por um doce, por um cigarro, por barras de ouro, por um doritos. Ai ai, como eu sou difícil. Eu sou tão fácil que sou paradóxo de mim mesma, e me alugo e me vendo e me faço e me mato na ridicularidade dos meus dias.
Eu costumava ser tão amável, tão coitadinha e fui me cansando de ser assim. Tornei-me a acidez em pessoa, o sarcasmo no sorriso mais elogiado de todos os tempos e com isso sou uma fraude. Sou de má fé, porque já sinto que tudo vai dar errado e como Murphy não perdoa, ele age e acaba comigo.
Eu costumava ser amável, costumava querer agradar, queria planejar a vida, os sonhos e não consigo nem acordar cedo para ir ao médico. Como posso querer salvar o planeta? Como posso querer mudar as coisas se meu quarto não tem espaço? Só digo uma coisa: tem algo de muito errado com o mundo. É uma teoria da conspiração que não me deixa. E não me deixa refletir. Não me deixa concluir. Não me deixa.
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